MVIzquierdo

O Lado Esquerdo dos Blogs ou Aquele Blog Onde Você Sente Vergonha Alheia, Mas Tranquilo

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sábado, 6 de março de 2010

Leitura básica.

Usando tênis de corrida, com os cabelos presos (no estilo "rabo de cavalo"), sem maquiagem, blusa de manga comprida (de cor fria; sem estampas), jeans, braços cruzados, mas uma das mãos mexendo nos cabelos... á! sem esquecer dos óculos de leitura.
Não usa brincos, está sem anéis.
Sentada no banco, já parou de ler seu livro, mas não descontinua o uso dos óculos.

Ela ignora meu olhar. Olha para pássaros, segue pessoas com os olhos, mas, aparentemente, não presta atenção nos detalhes.

Ela não espera ninguém, não quer falar com ninguém; está avessa à comunicação, não manda sinais básicos de aproximação; suas roupas mostram desinteresse; a cruz nos braços exclui a abertura natural das pessoas às pessoas.
Ela esfrega os olhos por debaixo dos óculos, engola a seco. Remorso.
Mão permanecerá por aqui muito tempo.
Olha! já se foi.

Eu estava sem livro na mão, precisava ler alguma coisa.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Voltando para casa.

Lá estava eu, sentado em uma das cadeiras do metrô, naquelas bem em frenta às cadeiras especias; das quais um senhor se aproximou, com um semblante em negociação explícita com aqueles que já estavam nelas sentados.
De olhos meio fechados, ele tentava assinar tratados de gentileza com os descansados nas cadeiras azuis.
Levantei- me da minha cadeira e pedi para que se sentasse (não como um ato de hombridade e dó, mas por necessidade).
Ele, numa tentativa de me agradecer, entregou-me um panfleto: "seja escrivão da polícia militar".
Eu sorri, como é de costume.
Mal percebi que ele me retribuiu os sorrisos...

Logo que uma das cadeiras especiais vagou, ele foi lá se sentar e me deu o lugar dele; acabou não podendo conversar comigo, pois havia uma mulher mediando as nossas atenções.
O homem de uns setenta anos me disse o necessário para uma boa carreira de escrivão, em meio a olhares constrangedores da mulher que nos separava. Num meio sorriso discreto (não como o do homem, este meio sarcástico) ela conseguiu externar tudo o que eu tentava ocultar: "coitado do homem, quer atenção".
Naquele momento não me importei com as previsões, por vezes absurdas, que fazemos quando tentamos entender os porquês de algumas ações; eu simplesmente queria aceitar o que ele me dizia.

Pouco depois a mulher se foi, o homem se foi; e este fez questão de me dar tchau (preferi a possível carência de atenção do homem ao poder de resolução da mulher).

Não joguei fora o panfleto; até que o velho tinha bons argumentos.