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O Lado Esquerdo dos Blogs ou Aquele Blog Onde Você Sente Vergonha Alheia, Mas Tranquilo

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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Silêncio musicado

Ontem, quando saí da faculdade, já era tarde da noite. Passei a catraca, entrei na Paulista e um silêncio excepcional cresceu. Os carros estacionaram na via, as poucas pessoas na rua flutuaram, e no escadão do Objetivo, conversas e namoros pausaram. Nem mesmo sons de beijos se ouviam. Parecia que o objetivo daquele momento era escutar o saxofonista.

Senti passar pela cidade ideal. Sem ruído, conflito, farol vermelho ou verde. Apenas a ressonância poética e melancólica de um saxofone em Mi menor, por um artista de rua.

O instante durou, infelizmente, instantes. A cidade voltou a buzinar, e o saxofone e a poesia perderam importância. Ou melhor, privilégio, porque a importância é infinita.


quarta-feira, 29 de junho de 2011


Sabe quando a plataforma do metrô acaba e começa aquele longo e úmido caminho na continuação dos trilhos, dentro do túnel? Sabe aquela placa de segurança que te impede de chegar até onde a luz tem medo de alcançar? Sabe quando a melancolia se confunde com música de ninar e beijo na testa, e você anseia por uns momentos naquele esquecimento?


Pra poder ver passar as pessoas rapidamente, quase sem importância. Ouvir o grito que o vento solta quando o trem corre, só que do lado de fora, pra poder gritar junto. Sentar na via, com as pernas balançando, e só se encolher pra ver o monstro de aço passar.

Acho que anos de terapia não funcionariam tão bem quanto uma placa nova dizendo “Entrada agendada de Terça a Domingo"

Melancolia tem assento preferencial no metrô.

terça-feira, 28 de junho de 2011

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Mês de festa!

Pra aproveitar junho de verdade, tem que ir a uma festa junina, como não?
E se for a uma festa junina, vá naquelas da igreja!

Eu fui em uma sábado passado. Tinha quentão, vinho quente, pastel, churrasco e doce de coco. Era tanta bebida alcoólica e carne vermelha que nem o padre resistiu, deixou a batina de lado e gritou bem alto: “Olha a cobra!”.

Muitas famílias, vovós fofas e alguns adolescentes bêbados. Tudo perfeito para um ótimo clima de pegação. Eram três ambientes, música sertaneja tipo “rádio Gazeta” e bebida gelada.

A banda que tocou as quadrinhas juninas mais famosas não era a banda mais bonita da cidade, mas não fez feio. Eram sete mulheres dividindo dois microfones. Só ouvíamos duas mulheres cantando, mas tudo bem.

Saí cedo porque a igreja ficava na República (já sabe, né), mas deu pra divertir um bocado. Estou ansioso para junho do ano que vem. Vou aproveitar para ficar em casa.



quarta-feira, 22 de junho de 2011

B.O.

- Pô! O cara deixou a mochila dele alí!
- Que cara?
- Aquele que tava agarrado com aquela mulher...
- Humm... compreensível.

A mochila estava na porta do trem. O dono saiu na Paraíso. Só percebemos perto de Santana. Acabamos pegando, pra saber se tinha um telefone, alguma coisa.
Tinha uma certidão de nascimento (foi mal, mas tivemos que mexer), um uniforme e ainda umas ferramentas de trabalho. Mas infelizmente só descobrimos que o rapaz é trabalhador.
A sensação de vasculhar a intimidade de uma pessoa, mesmo com o conforto de saber que é para o bem dela, ainda sim nos deixou desconfortados. Mas felizmente não tinha nada de mais na mochila. Ou infelizmente, porque tivemos que deixar com o pessoal do metrô, mesmo.

Agora é torcer pra que ele não desista, e vá até a Sé, no achados-e-perdidos, pra tentar reaver a mochila.

Tá vendo só, fica de namoro no metrô, olha o que acontece.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Passo a passo de como não se produzir um curta-metragem na faculdade.

Cronograma:

Ideia (É incrível, muito incrível, tão incrível que não sabemos explica-la. Acredito que isso nos trará problemas)

Roteiro (A trama toda está na minha cabeça, só falta mesmo escrever)
Já deveria estar pronto.

Storyboard (Desenhos toscos que ajudam a saber o que raios fazer na hora da gravação)
Deveria ter sido entregue com o roteiro.

Casting (Se você for ator ou conhecer um, não conte a ninguém, me mande um e-mail)
Entre dias 15 e 30 de Junho.

Produção
Para todo o mês de julho. Adeus, férias.

Gravação
Entre dias 9 e 15 de Agosto. Nós, de todo o grupo, estaremos incomunicáveis durante esse período. Acalentem nossas famílias.

Edição
Previsto para o mês de Setembro.

Exibição
Não somos tão pretensiosos.

A ideia e o roteiro.

Depois de meses definindo o roteiro da nossa história, percebemos que, sim, é necessário anotar ideias e escrever o roteiro do começo ao fim. Ainda não definimos o fim. E por causa disso o começo está seriamente comprometido. Mas estamos esperançosos com uma cena em especial. Uma cena incrível. Uma cena que determinará toda a trama. A chamamos de “A CENA”. Mas ainda é segredo.
É apenas ela que nos mantém confiantes.

Assim que o trabalho andar, saberão em que pé estamos.

Ps- Descartamos a “A CENA” semana passada. Professores e amigos próximos disseram que a cena do balcão poderia ser dita como plágio. Preciso lembrar de deixar de fazer segredos. Pelo jeito o pé está na lama.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Aproveite!

Escrever para a TV talvez seja a coisa mais instigante que eu já fiz na minha vida. É divertidíssimo.

Eu escrevo chamadas, que são aqueles vídeos que passam nos intervalos, que dizem o que vai ter no próximo programa, pra chamar público.

E todo dia eu me deparo com chamadas em que o assunto principal é... comida!

Não é nada fácil falar sobre comida. É quase como explicar a piada. Parece que ela perde a graça, ou o gosto. Mas é sempre uma aventura tentar explicar por que uma queijadinha pode fazer toda a diferença na sua vida.

Existem algumas coisas em que você pode se agarrar, como a textura, os ingredientes saudáveis, a facilidade no preparo que, tudo junto, fazem da queijadinha o must da culinária!

Vamos comer queijadinhas? Elas são deliciosas. Têm uma casquinha crocante, o recheio derrete na boca e, quando você acabar, vai achar que teve gosto de pouco.

É sempre delicioso escrever.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Mãos calejadas

Ele chegou na nossa cola de supetão, e já foi logo fazendo a caricatura de um amigo que estava andando comigo, no centro velho.
- Pode ficar tranquilo, já tá na memória!

Quem disse foi o Félix, artista de rua. Na verdade, o poeta, cantor, desenhista e empresário Félix.

Ele já foi logo pegando o lápis e desenhando numa folha de papel. Nem precisava ficar olhando para a pessoa, ele decorava o seu rosto (Deus sabe como isso é difícil), para que o desenhado não se sentisse desconfortável (como sempre se sente).

Felix era um ótimo desenhista, tinha estilo, rapidez e não era um caricaturista ruim, muito pelo contrário. Mas o que mais me chamou a atenção foram suas mãos.
Calejadas e contorcidas, mostravam que Felix não trabalha só com o lápis.

E lembrei de um professor de desenho que disse numa aula que era necessário ter mãos calejadas.
Felix as tem e por isso é um artista verdadeiro.



quarta-feira, 15 de junho de 2011

Noite da frustração gastronômica

Meia noite, em casa, depois de um dia difícil de trabalho, de faculdade e de programação obrigatória da TV Minuto.
Abro o forno e avisto um possível motivo de existência: um doce bem gostoso.
Minha vó olha para mim “Tem suflê, Marcelo!”
Eu sorrio pela primeira vez no dia. Não, não, sorri também quando escrevi “expectador” num texto para o trabalho. Foi o único jeito que achei de o chefe achar que era brincadeirinha.

Pego a maior colher da gaveta e me preparo. Minha avó reaparece “Ficou uma delícia esse suflê de couve, experimenta”

Largo a colher, largo o suflê e largo a vó falando sozinha. Preparo um nescau e vou dormir, sonhando com um doce bem gostoso.

É demais para uma noite de terça-feira.

terça-feira, 14 de junho de 2011

A felicidade está no olhar.

Numa aula de desenho:

“Sua personagem está feliz?”

“Sim... ué. Não é óbvio?”

“Não! Apaga o sorriso... Olha pros olhos, é para onde a gente olha; os olhos dela estão tristes.”

"Trabalhe mais o preto e o branco... o brilho; atenção nos olhos, no brilho dos olhos.”



Continuo trabalhando nos olhos. Nos brilhos, e na ausência deles.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Alguma dúvida?

Vi um documentário, esses dias, em que um dos entrevistados disse:

"De quem não tem dúvida, dá pra duvidar”

Ele deve estar certo.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Elevador em manutenção

Outro dia, no metrô, uma mulher humilde, mas muito humilde mesmo, de roupa esfarrapadas e chinelo quebrado, apertava desesperadamente o botão do elevador.


Ela estava com uma menina de uns sete anos, um carrinho de bebê e muitas sacolas debaixo dos braços. A menina começou também a apertar o botão, até que ela se deu conta de um papel com umas letras colado na parede. As duas olharam para o aviso e fizeram cara feia. Comentaram alguma coisa, e apertaram novamente o botão, desesperadamente.

Depois de um tempo, e de várias tentativas frustradas, chamaram uma moça que passava, para perguntar “o que está escrito aqui?”

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Problemas colorados

Eu adoro futebol! Mas confesso, prefiro Chaves e Chapolin Colorado. E isso já me trouxe alguns problemas.


Era domingo, aniversário de um primo. E além dos salgadinhos e bolos, e ia ter jogo do São Paulo. Paixão de família. Eu até sabia da partida, mas nem me liguei nisso.

Antes de sair de casa, botei minha camisa vermelha com o símbolo do CH e fui feliz para a festa. Quando cheguei, percebi uns olhares estranhos, uns xingamentos baixinhos, uns tapas na nuca, mas até ai nada de estranho, até que percebi que um dos primos chatos não estava falando comigo. Fiquei feliz, mas queria entender o que raios eu tinha feito, naquele dia, que ainda não tinha tentado.

Até que, depois de uns 20 minutos do segundo tempo, me dei conta de que o São Paulo estava jogando contra o Internacional, o Colorado. Maldição!

Me retirei cautelosamente da sala e fui ao banheiro, tirar a camisa e vestir apenas o casaco.

Quando estava indo embora, um tio santista me abraçou e confessou que tinha adorado o que eu fiz. Olhei no fundo de seus olhos, dei uma gargalhada e disse: “Meus movimentos são friamente calculados, tio”.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Acode o asmático que ele tá tendo uma crise!

Tem gente que me pergunta “como é ter asma?”

Imagine que você acabou de completar o triatlo, só que na verdade levantou para pegar água.
Outra forma de facilitar o entendimento é: faça uma concha bem fechadinha com a sua mão, tampe a boca com ela e tente respirar. Opa, pelo nariz não vale!
Agora suponha que você está deitado no chão, e aquele seu primo obeso senta no seu peito. Poisé, não é fácil.

O ar não entra, muito menos sai. Quando o bicho pega, o menor esforço te faz sentir o Ronaldo correndo aqueles 15 minutinhos do jogo do Brasil.

Futebol? Fico no gol! Natação? Eu vou boiando. Dança? Não levo o menor jeito. Por causa da asma? Não sei, pode ser. Duvido.

Vou lá fazer a inalação e já volto. Beijos do asmático!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Livros

É incrível como algumas pessoas ainda torcem o nariz quando se diz “este livro mudou a minha vida”

Por que é tão difícil de acreditar? Livros são transformadores, como não?

A maioria delas acha que é necessário capotar do carro para aprender a usar o cinto de segurança; que é necessário esperar morrer para ver o quanto faz falta; e que é necessário levar um tapa na cara para aprender que existem partes no corpo de uma mulher que, bem, não devemos mexer antes do terceiro ou quarto copo.

Aprender por palavras não é impossível ou errado. Elas têm o poder de mexer tanto com o lado emocional quanto com o racional. E há muito de digno em vivenciar isso.

Aqui vão alguns livros que mudaram a história da humanidade:














E aqui um livro que mudou a história da minha vida:

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Sexta é dia de brinquedo!

A sexta-feira, na pré-escola, era sempre de alegria. Era o dia de levar um brinquedo e efetivamente brincar.

Claro que na pré-escola brincar significava 50% da matéria, os outros 50 sendo artes e a hora da merenda (bons tempos). Mas tinha um gostinho especial trazer parte da brincadeira de casa e poder brincar com todo mundo. O meu Rambo, por exemplo, se casou pelo menos umas 7 vezes com a Barbie de uma colega. Claro que era tudo de fachada. Extermínio era seu verdadeiro objetivo.

Gostaria que o costume voltasse. Acho que pelo menos uma vez por mês poderíamos ter um dia do não-trabalho, no trabalho. Pegamos um brinquedo, um jogo, pra esquecer, por uns 10 minutinhos, do trabalho e da tensão acumulada na semana.
Uma boa ideia.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Para o céu!

Clarinha simplesmente amava balões. Podiam ser de qualquer cor e tamanho, só tinham que poder voar, pois esse era o sonho dela: romper as nuvens. Virou necessidade quando soubera da viagem intergaláctica.

- Papai e a mamãe foram para o céu, queridinha.

Por que ela também não podia voar para o alto, conhecer as alturas, ver os pais? Daqui debaixo não dava pra enxergar; isso a entristecia. Ela consultou a todos, queria voar, tocar o azul infinito! Mas ninguém dava muita atenção para histórias infantis de gente indo para o céu.

O negócio era tentar! Comprou dez balões. Dez já deviam bastar. Não foi bem assim que aconteceu.

Quando o desejo virou obsessão, esclareceram tudo. Papai e mamãe não estavam mais entre nós. Gente não voa com balão. Você precisa crescer, deixar de ser avoada, pra ser alguém e subir na vida.

Clarinha continuou triste, triste e confusa.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Mas já?!

Já é primeiro de Junho. JUNHO? Como pode? O que eu perdi? Pulamos março? Fevereiro teve 12 dias?

Já estamos no fim do começo do ano. A metade está ai, porque pra julho faltam o quê?, duas semanas.

O noivos de janeiro voltaram da lua-de-mel. As grávidas do começo do ano estão ponderando a laqueadura. Os bebês... já têm bebês.
Tudo tão rápido e sem aviso.

É melhor já tirarmos o amigo-secreto, talvez não dê tempo de achar um bom presente.