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quarta-feira, 21 de março de 2012

Nu, intimidade e melodia

O homem chegou meio envergonhado. Entrou na sala de casa, abriu uma maleta e pegou um tipo de chave-de-fenda de madeira.

Em determinado momento, ele despiu o piano, retirando delicadamente a placa de madeira que o cobria.

Sem emitir sons, começou a tocar as teclas com suavidade intensa. O piano dizia coisas difíceis de entender, mas que os ouvidos do homem encontravam sentido. Analisava a vibração das cordas que compunham o som da nota tocada, numa contemplação absurdamente amorosa.

C, D, E, F, G, A, B; sem falar dos #

Compreendendo as mensagens íntimas do instrumento, o homem investia com mais segurança e força os toques de sua chave-de-fenda de madeira. A voz do piano ai ficando cada vez mais doce e terna.

Até que, numa nota final, ele disse "Acabamos".

A duração desse relacionamento foi rápido, apesar de impressionantemente belo.

A hora da afinação do piano, é um momento tão forte e revelador, que dá vontade de, simplesmente, pôr um pano no instrumento, para que não o vejam assim, em condições tão frágeis, Nu.

Um comentário:

anna disse...

você tem um piano?

olha o que acontece, deveria estar desenhando, mas parei aqui. e agora não consigo parar.

alias, ainda nem cheguei nos sketches..